Decisão da Euro 2008 entre as duas seleções se converteu no “dia em que os espanhois passaram a merecer mais respeito”.

Flâmula espanhola levada pelo capitão Casillas neste Mundial (Foto: Jeff Mitchell/FIFA/Getty Images)
Nunca a Espanha chegou a uma Copa do Mundo tão favorita quanto em 2010. O motivo para isso não são somente os bons atletas que a seleção tem – afinal, houve outras gerações tão boas quanto ou até melhores que a atual. O que fez com que o favoritismo espanhol fosse levado mais a sério, indiscutivelmente, foi um feito ocorrido há dois anos: a conquista da Eurocopa de 2008. Ali, a Espanha provou ao mundo que podia e sabia ganhar uma competição importante. Reduziu um pouco o fantasma de “amarelona”, que tanto atacou a seleção em sua história. E tudo isso por ter derrotado a Alemanha na decisão – a mesma Alemanha a quem a Espanha enfrenta agora, pelas semifinais da Copa da África.
É curioso ver que os mesmos germânicos que foram protagonistas da “virada” do futebol espanhol sejam seus adversários de agora. Se superar novamente os alemães, a Espanha chegará em uma final de Copa do Mundo – feito que parecia inimaginável até há pouco tempo. E, como já dito, mais por uma questão de “camisa” do que pela qualidade técnica dos atletas.
Os times de Espanha e Alemanha que se enfrentarão agora são bem similares aos de 2008. Do time titular espanhol que entrou em campo na final de 2008, só não está na África do Sul o brasileiro naturalizado Marcos Senna – e por uma contusão. Os alemães têm mais modificações. Frings e Hitzlsperger, titulares na Áustria, não estão no Mundial; e a dupla Özil-Muller, que está encantando em 2010, sequer figurava no grupo que jogou a Euro.
A principal modificação na Espanha de 2008 para cá está no banco de reservas: logo após a conquista, o técnico espanhol na ocasião, Luís Aragonés, pediu demissão. Vicente del Bosque assumiu o cargo e incorporou a filosofia do “em time que está ganhando não se mexe”, não alterando o grupo. Curiosamente, a Alemanha, que de lá para cá se modificou mais, tem o mesmo técnico desde então, Joachim Löw.
A campanha espanhola até a decisão incluiu momentos de magia e outros de pura raça. A magia se deu com as três vitórias na primeira fase, sobre Rússia, Grécia e Suécia, e nas semifinais, com um 3×0 sobre a mesma Rússia antes despachada. Já a raça apareceu quando o time superou a Itália nas quartas-de-final. Analisem o roteiro: na primeira fase, a Espanha vence os três jogos. Já a Itália avança aos trancos e barrancos, ganhando o último jogo e antes levando um sufocante 3×0 da Holanda. Itália e Espanha empatam no tempo normal e vão aos pênaltis. Cá entre nós: perder, ali, seria um atestado de “amarelice” único ao time espanhol (e de grandeza à Itália, como já acontecera tantas outras vezes na história da azurra). Mas a Espanha passou, e o time deixou claro que a história estava se modificando.
Na final, a Espanha fez 1×0 na Alemanha aos 33 do primeiro tempo, com gol de Fernando Torres – o mesmo que vem fazendo uma Copa decepcionante e cuja escalação para as semis de agora tem sido bastante contestada. Não surgiram mais gols; o que não impediu que a partida fosse das mais emocionantes, imprevisível até o apito final.
Agora Espanha e Alemanha decidem uma vaga na Copa da África do Sul. Pela camisa e pelo futebol até agora mostrado, a Alemanha é favorita. Mas não seria nenhuma surpresa a Espanha ganhar o jogo. Afinal, desde aquela decisão o time está em outro status.
Os melhores momentos da final de 2008


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