Única vitória da Laranja Mecânica tinha Cruyjff em campo; Depois duas classificações de equipes que tinham Dunga em campo. Com o ex-volante no banco, será que vai?
O Brasil não defendia só o título naquela Copa da Alemanha, há 36 anos. Defendia, principalmente, o status de melhor futebol do mundo, conquistado pela bela campanha da seleção tricampeã no México, em 1970, com gênios como Carlos Alberto Torres, Rivellino, Jairzinho, Tostão, Gerson, Clodoaldo e, acima de todos, Pelé. Mas, de todos estes, apenas Rivellino e Jairzinho estariam presentes em 1974. E a má campanha comprovaria que, apesar de o técnico campeão Mario Jorge Lobo Zagallo prosseguir no cargo, “sem limões não se faz limonada”. E olhe que “Brasil Holanda” tem 13 letras.
Depois de medonhas partidas sem um golzinho sequer contra a Iugoslávia e a “potente” Escócia, o Brasil só conseguiu se classificar em segundo lugar no seu grupo com um sofrido 3 a 0 sobre o também “todo poderoso” Zaire. Com Ademir da Guia no banco e Valdomiro (quem?) no time titular, Rivellino e Jairzinho resolveram chamar a responsabilidade e decidiram as vitórias contra a Alemanha Oriental (1 a 0, gol do herdeiro da camisa 10) e a Argentina (2 a 1, com gols do Furacão e de Rivellino, uma “patada atômica” de falta). Aí o Brasil pegou a Holanda, a sensação daquele mundial.
Treinada por Rinus Mitchels, campeão espanhol naquela temporada com o Barcelona, a Holanda tinha o novo fenômeno do futebol mundial, Johan Cruyjff, uma espécie de “homem-equipe”, um “faz tudo”. Ideal para o esquema tático revolucionário no qual ninguém tinha posição definida, os atletas faziam rodízio como no vôlei, confundindo totalmente os adversários e tocavam de primeira, chegando rapidamente ao ataque. Por isso, o time ficou conhecido como “Carrossel holandês”, “Futebol total” e “Laranja mecânica”, em alusão a cor da camisa e a ao filme de Stanley Kubrick, lançado na época.
Jogo de 1974:
O técnico que virou suco
Eles tinham ainda Jongbloed, goleiro enorme, Suurbier, na época o melhor lateral-direito da Europa, Krol, zagueiraço, Van Hanegen e Neeskens, excelentes meias de ligação, e os rápidos Rep e Resenbrink no ataque. Comandando todos, Cruyjff. ”Vamos fazer um suco dessa imensa laranja”, bravateou Zagallo. Resultado: fomos envolvidos facilmente e voltamos mais cedo pra casa com um justo 2 a 0 (Neeskens e Cruyjff), mais o papelão de Luís Pereira expulso e do goleiro Leão tentando dar um tabefe no lateral Marinho Chagas durante o intervalo, no vestiário. Dessa vez, Jairzinho e Rivelino não salvaram a pátria. Que feio.
Revide duplo nos anos 90
Curiosamente, Zagallo teria sua desforra 24 anos depois, na França. Mas, antes disso, em 1994, nos Estados Unidos, voltamos a nos deparar com a Holanda. Pelas quartas de final, o Brasil de Carlos Alberto Parreira pegou a forte equipe holandesa dos jogadores Winter, Koeman, Rijkaard, Ronald de Boer, Overmars e Bergkamp. Romário e Bebeto abriram boa vantagem para o Brasil, mas Winter e Bergkamp empataram e tornaram o cenário dramático. Aos 35 da segunda etapa, o lateral Branco (que só estava no time porque Leonardo havia sido expulso contra os anfitriões Estados Unidos) acertou uma bomba de falta – que ele próprio havia “cavado” – e classificou o Brasil para a semifinal, rumo ao tetracampeonato. Foi o “Gol Cala Boca”, uma espécie de precursor do “Vocês vão ter de me engolir”, de três anos depois, porque o camisa 6 havia apresentado-se em forma física pra lá de questionável.
Jogo de 1994:
Já em 1998, as duas seleções se encontraram novamente nas semifinais. E o nosso técnico era o “velho lobo” Zagallo. Sem Romário, cortado por contusão, e com um Ronaldo Nazário em ótima fase, ao lado de Bebeto, o time foi costurando a classificação até esbarrar nos holandeses. Cafu, suspenso, deu lugar a Zé Carlos, lateral então no São Paulo, que tremeu bonito e quase enfartou metade dos torcedores brasileiros. O empate em 1 a 1 no tempo normal, com gols de Ronaldo e Kluivert, levou a partida para os pênaltis. Quem salvou a pátria foi o goleiro Taffarel, que defendeu as cobranças de Cocu e Ronald de Boer. Fomos à final, mas perdemos da França.
Jogo de 1998:
Nosso técnico Dunga esteve lá, como jogador, nessas duas vitórias de 1994 e 1998. Será que isso é um motivo a mais para a Holanda se empenhar na “vingança”? Façam suas apostas.




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