Larissa Riquelme seguirá vestida: Paraguai cai nas quartas da Copa do Mundo

Villa comemora gol espanhol, que só saiu depois de a bola bater duas vezes na trave (Foto: Eddie Keogh/Reuters)
“Jogamos como nunca, perdemos como sempre”. A frase, atribuída a um jornalista mexicano, tornou-se uma espécie de definição-padrão dos times “pipoqueiros” no futebol. São aqueles que jogam bem, deixam esperanças mas, na hora de decidir, perecem para o adversário. No universo das seleções, poucas incorporaram, historicamente, tão bem essa definição como sempre fez a seleção espanhola. Hoje, a Fúria quebrou a maldição.
A Espanha derrotou o Paraguai por 1×0 e assim avançou às semifinais da Copa 2010. É a primeira vez que a Espanha chega a tal estágio em um Mundial – na Copa de 1950, os espanhóis foram os quartos colocados, mas não havia semfinais no formato que há hoje, e sim um quadrangular decisivo. Sempre houve uma pressão, no futebol espanhol, para a obtenção de no mínimo uma vaga às semis – ainda mais porque outras seleções menos tradicionais, como Bulgária, Croácia e o vizinho Portugal já haviam realizado a façanha.
Agora a Espanha chega. E com sua seleção mostrando um futebol menos encantador do que se esperava desse time. Mas suficiente para passar por um Paraguai valente, limitado tecnicamente, mas que esbanjou disposição e tática para endurecer a parada.
O jogo
Desde os primeiros instantes, o jogo deixou claro que não seguiria o script previsto por muitos de uma goleada fácil a favor da Espanha. Longe disso: o Paraguai bloqueava espaços, amarrava o meio-campo e ainda por cima subia vez ou outra nos contragolpes.
A dupla de ataque espanhola foi nula em todo o primeiro tempo. Villa e Torres pouco criaram. Isso se deveu, principalmente, à pouca inspiração dos meias espanhóis: Xabi e Alonso permaneceram apagadíssimos. Iniesta também não conseguia se desvencilhar do bom bloqueio que fazia o meio-campo paraguaio.
E então o Paraguai fazia o jogo que lhe interessava. A principal virtude espanhola, o toque de bola, não aparecia. Cabia ao Paraguai criar as principais chances do jogo. Seguramente, na primeira etapa Casillas foi mais acionado do que Villar.
O segundo tempo parecia que seguiria pela mesma toada. Até a série de incidentes que fizeram o intervalo entre os 10 e os 20 minutos de jogo figurarem entre os mais emocionantes da história das Copas. Um pênalti desperdiçado pelo Paraguai, batido por Cardozo; um pênalti a favor da Espanha, convertido por Alonso, anulado pelo árbitro e defendido por Villar na recobrança; e um pênalti não assinalado pela arbitragem cometido em Fábregas.
A partida, que até aí caminhava meio modorrenta, ganhou contornos de épica, com os dois times criando chances e passando perto de abrir o placar. Até que o gol de David Villa, aos 36 do segundo tempo, colocou a Espanha na frente do placar. Mais que isso, acabou por se tornar uma síntese da partida, com a sequência de bates-rebates pela qual a bola passou até morrer nas redes.
Paraguai não teve forças para reagir. A Espanha chegou, pela primeira vez, em uma semifinal de Copa do Mundo. Se não com o brilhantismo que se esperava, mas sim com a “camisa” e a “raça” que historicamente tanto lhe faltaram.
Bartres
O texto está grande e até agora nada sobre as besteiras do juiz, talvez pense o leitor. Realmente: a pessoa do guatemalteco Carlos Bartres e seus auxiliares, um costarriquenho e um hondurenho, ficaram de fora até agora.
A omissão foi proposital. Juiz e assistentes fizeram uma série considerável de lambanças: anularam um gol legítimo de Valdez, não viram invasão dos espanhóis no pênalti defendido por Casillas, viram – e só eles viram – uma estranha invasão na cobrança convertida por Alonso, não enxergaram pênalti claro de Villar sobre Fábregas segundos depois.
No fim das contas, foi tanta, mas tanta lambança que não dá para creditar o resultado à arbitragem. Os capitais erros aconteceram beneficiando e prejudicando ambos os lados. É mais negócio falar do futebol.
Confira os melhores momentos
Ficha técnica
Paraguai 0×1 Espanha
Gol: Villa, aos 38 do segundo tempo
Paraguai: Villar; Bonet, Paulo da Silva, Alcaraz e Morel Rodríguez; Víctor Cáceres (Lucas Barrios), Riveros, Santana e Barreto (Vera); Valdez (Santa Cruz) e Cardozo Técnico: Gerardo Martino
Espanha: Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol (Marchena) e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso (Pedro), Xavi e Iniesta; Fernando Torres (Fábregas) e Villa Técnico: Vicente del Bosque


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[...] No coração, Espanha chega julho 4th, 2010 | Autor: admin [...]