Decisão tem incentivos criativos e o domínio da Heineken como patrocinadora de ambas as seleções
A cerveja Cruzcampo, patrocinadora oficial da seleção espanhola, prometeu repetir uma premiação pra lá de interessante aos jogadores e comissão técnica da equipe: vai dar a cada um o equivalente a seu peso em cerveja. O líquido e gelado prêmio não depende de vitória frente à Holanda, o que certamente serviria de desestímulo para certos times manguaças.
Mas isso não tende a ser um problema para a equipe de Vicente del Bosque. Afinal, 1.686 quilos do fermentado, a soma de todo o selecionado, tende a ser menos inportante do que entrar para a história como primeira equipe campeã do mundo pela Espanha.
Na Eurocopa de 2008, a mesma empresa ofereceu o mesmíssimo prêmio. No caso espanhol, funcionou, já que os donos da casa faturaram aquele título, mas outros tipos de estímulo não deram muito resultado (confira o box).
Independentemente desta ação promocional da empresa, a marca de cerveja que sai vitoriosa no mundial é holandesa. A Heineken, que patrocina a seleção Laranja, é a dona da Cruzcampo. Ou seja, nos intervalos comerciais de TVs espanholas e dos Países Baixos, só a terceira maior empresa do setor é que terá motivos para sorrir.
Quer dizer, a cervejaria da garrafinha verde fez família na Copa e conseguirá agora furar, dentro da lei, o bloqueio da Fifa a propagandas de outras marcas que não sejam a patrocinadora oficial Budweiser, parte do maior conglomerado produtor de cerveja, a Inbev.
A primeira tentativa da marca holandesa de garantir destaque na Copa foi frustrada pela concorrente. Tratava-se da distribuição de (horrorosos) “capacetes da Copa” como brinde aos torcedores. A
medida foi barrada pela Fifa, que ameaçou chamar a polícia.
Como as forças de segurança já haviam sido acionadas contra as lindas louras de vestidinhos curtos e laranjas patrocinados pela também holandesa cervejaria Bavária, o pessoal deve ter ficado preocupado.
Ah,sim: antes que alguém pergunte, nenhuma das marcas exibiu os equivalentes aos agora combalidos Dunga, Luis Fabiano e cia como guerreiros.
Os incentivos pouco ortodoxos foram bastante aplicados na Euro 2008, mas nem todos com sucesso. Quem começou foi a austríaca Ottakringer, bastante generosa com os jogadores de seu país. Um bom desempenho representaria fornecimento vitalício de cerveja a cada atleta que marcasse pelo menos um gol na competição. Além da manguaça, havia o estímulo à ofensividade no futebol, interessante também para a qualidade do espetáculo. Apesar das boas intenções, não adiantou muito. A Áustria foi eliminada na primeira fase e marcou apenas um gol. O veterano Vastic, de 39 anos, foi felizardo autor do solitário tento.
Fora da seara alcoólica, os jogadores da Rússia tiveram também o seu incentivo naquele ano de 2008. A empresária Pyotr Listerman, dona de uma agência de modelos no país de Lênin, prometeu a companhia de duas moças para cada jogaor que marcasse pelo menos um gol contra a Espanha, adversária dos russos na semifinal do torneio.
Não ficou claro se as beldades seriam apenas companhia ou se haveria outros tipos de serviços envolvidos, o que tornaria a proposta ainda mais machista e detestável – e díficil de explicar para os jogadores casados.
Como também não funcionou, ninguém ficou sabendo qual era a ideia. Os futuros campeões daquele torneio, que já haviam goleado os russos por 4 a 1 na primeira fase, levaram a vaga na final com um sonoro 3 a 0.




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