América do Sul perdeu a hegemonia adquirida nas quartas. De majoritária, com metade dos classificados, o continente agora só tem uma seleção nas semifinais
As quartas de final tinham três confrontos imprevisíveis e um com amplo favoritismo. As conquistas de Uruguai, Holanda e Alemanha foram todas merecidas, mais ou menos épicas. Já a Espanha afastou a zebra a muito custo, confirmando a aposta da maioria dos palpiteiros de plantão.
Semifinais
» Uruguai x Holanda
Cidade do Cabo – 6 de julho – 15h30
» Alemanha x Espanha
Durban – 7 de julho– 15h30
Todas as três seleções europeias que chegaram entre os oito melhores seguem na disputa. Três das quatro sul-americanas pereceram diante de times do Velho Mundo que não optaram por jogar defensivamente.
Ninguém está propondo que holandeses, alemães e espanhois sejam os baluartes do futebol-arte, ofensivo e tal. Ao contrário, a Laranja Mecânica sofre por críticas internas por ser pragmática e ninguém vai esperar ginga e molecagem de um disciplinado atleta germânico.
Mas todas as três seleções da Europa são bem equilibradas, optando por jogar para frente. Têm defesas não tão fortes, usam meias ofensivos, dois ou até três atacantes…
Já o remanescente do futebol do Hemisfério Sul é a retranca que sobrevive. O Uruguai nunca foi exatamente um primor em termos de ofensividade e futebol bonito. Mas é emblemático que nenhuma das seleções europeias que apostam na defesa – que desenvolveram esquemas táticos para isso, que contaminaram o futebol africano – tenham caído.
Agora, a Celeste tenta repetir um feito de 60 e 80 anos. Em 1950, no Brasil, e em 1930, em casa, o time azul foi campeão, mesmo sem o formato das semifinais. Agora, para fazer isso, precisa primeiro superar a Holanda, que esteve entre as quatro em três edições anteriores, chegando às finais em duas e parando em uma. Se perder nas semis, o patamar será o mesmo alcançado em 1970.
A Espanha chega entre os quatro pela primeira vez desde 1950. Por isso, é sua primeira semifinal da história, já que aquela edição foi definida em um quadrangular.
O time de Vicente del Bosque enfrenta uma habitué dessa fase, a Alemanha. Pela terceira copa seguida, lá está a representação da bandeira amarela, vermelha e preta (um vice e um terceiro lugar). Nos últimas 10 torneios, eles estiveram em sete nas semis. Nas decisões de campeonato, já estiveram sete vezes em todas as 18 copas realizadas.
Em termos do que vinham mostrando antes do Mundial, a Fúria e a Laranja Mecânica foram as únicas que confirmaram o favoritismo. A primeira passava o Brasil na bolsa de apostas britânica, enquanto a segunda está há um ano e meio sem perder.
Mas no frigir dos ovos, dois jogos imprevisíveis, em que o Uruguai e a Espanha têm contra si a história de pelo menos os últimos 60 anos. Mas a história conta só até os times entraram em campo. Depois, ela continua a ser escrita.



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