A Copa do Mundo 2010 vê a reversão definitiva de perversos estereótipos. Sul-americanos perecem nas quartas

Klose está a dois gols de ser o maior artilheiro da história das copas (Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)
De um lado, um time que condensa como ninguém qualidade técnica e raça, sem nunca desistir nem entregar os pontos. Do outro, um que “joga algo parecido com futebol”. Resultado no placar: 4×0 para o primeiro dos times, quer dizer, a Alemanha.
Germânicos e argentinos encerraram o confronto válido pelas quartas-de-final da Copa do Mundo neste sábado (3), mas iniciaram uma nova era no futebol de seus países. Ou melhor, iniciaram uma nova era relacionada à maneira com que seus times devem ser observados.
Tal qual mostrou nos outros jogos da Copa (incluindo a derrota para a Sérvia) a Alemanha desta partida mostrou um futebol envolvente, muitíssimo bem postado, com a boa disposição de seus atletas e perfeita armação tática servindo como catalisadores para que a individualidade dos seus melhores jogadores decidissem.
Foi assim que Schweinsteiger teve a melhor atuação individual desta Copa – e não seria um exagero dizer que foi uma das maiores da história de todos os Mundiais. Foi o senhor do meio-campo, um volante com aquela técnica que todos esperemos que os camisas 5 ou 8 do dia-a-dia demonstrem. Criou, desarmou, deu passes e ainda fez uma jogada (a do terceiro gol, de Friedrich) que será reprisada ad eternum nos próximos tempos.
Já a Argentina pouco conseguiu fazer. Um gol a dois minutos de jogo, é verdade, detona qualquer esquema tático: uma frase tão batida quanto verdadeira. Ainda assim, isso não justifica o fato do time ter conseguido nada em termos de jogadas verdadeiramente agudas em quase toda a partida. Tinha a posse de bola, mas não a traduzia em momentos concretos de gol. Foi um time penso: todas as jogadas se concentravam pelo lado direito, com a fraca dupla Otamendi-Di Maria se responsabilizando pelos lances. Aí não tinha mesmo como sair muita coisa.
Carlitos Tevez, mais uma vez, teve uma boa atuação. Se há alguém a quem se pode ainda atribuir aquele estereótipo do “argentino raçudo que não desiste nunca”, é só ele. Correu, chutou a gol, dividiu bolas, fez aquilo que dele se espera. Já Lionel Messi foi pífio. Risível. Suas atuações anteriores na Copa não foram maravilhosas, mas ainda assim regulares; já a da agora foi de uma apatia de lembrar a seleção brasileira de 2006. Volta pra casa, se é que podemos chamar a Argentina de sua casa, sem um gol sequer. O fato de ser muito jovem é um alento. É bem factível imaginarmos que, daqui quatro anos, Messi venha ao Brasil e faça uma Copa do Mundo análoga à que Maradona fez em 1986.
Mas por enquanto não é isso que se vê. O que se celebra é uma Alemanha eficaz, habilidosa, insinuante, taticamente inteligente, que massacrou a Argentina e se consolida como a maior favorita para o título mundial. Özil, Klose (a dois gols de se tornar o maior artilheiro da história das Copas), Podolski (que foi bem hoje), Müller, Khedira e, sobretudo, Schweinsteiger: é a melhor Alemanha dos últimos vinte anos, é o melhor time dessa Copa, é alguém que fez a Argentina se comportar como time pequeno e levar “olé” em solo sul-africano.
A Alemanha fez a Argentina desistir. É uma façanha de quem joga um bom futebol.
Confira os gols da partida
Ficha técnica
Argentina 0×4 Alemanha


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