Bom futebol já foi o forte de duas seleções europeias que vão a campo nesta segunda-feira (14). Resta saber se a laranja segue mecânica e se Dinamarca tem engrenagens em ordem
Holanda e Dinamarca nunca se enfrentaram em uma Copa do Mundo. No entanto, tanto a história de um quanto a de outro se relaciona ao jogo bonito, ao futebol bem jogado, e a uma certa frustração por não terem ido tão longe quanto poderiam em algumas ocasiões. Pelo menos na visão de seus torcedores e de fãs da bola bem tratada.

Carrossel Holandês perfilado antes da "voltinha derradeira". Na final de 1974, a Alemanha venceu por 2 a 1
A Holanda de 1974 é um exemplo clássico de seleção que conseguiu conquistar corações de adversários. Não à toa a seleção do treinador Rinus Michels é tida como revolucionária, tendo celebrizado a fórmula do “futebol total”. O Carrossel Holandês primava pela troca constante de posições, mas não era apenas isso. Mantinha-se o padrão de jogo, um 4-3-3 com um líbero entre os defensores, fazendo, de acordo com o momento da partida, marcação no campo adversário e linhas bem ensaiadas de impedimento.
Provavelmente todos já viram atacantes alternarem de lado em uma partida: quem faz o lado esquerdo ir para a direita e vice-versa. O times de Michels fazia uma inversão muito mais difícil de ser marcada, por ser vertical. Em Inverting the Pyramid, o jornalista inglês Jonathan Wilson fala sobre tais inversões, onde um lateral pode virar ponta, um meia virar lateral, um ponta virar meia etc. Claro que tal esquema só funcionou porque o elenco da Laranja Mecânica era fantástico, com jogadores como Cruyff e Neeskens.
Mas aquela seleção perdeu para a Alemanha na final, depois de eliminar a seleção brasileira nas semis. Na Copa seguinte, chegaria a vice de novo perdendo mais uma vez para os donos da casa, a Argentina. Voltou a chegar perto em 1998, quando foi superada pelo Brasil na semifinal, nos pênaltis. Na última Copa só chegou até as oitavas quando foi vencida por Portugal, em uma partida considerada a mais violenta da história das Copas. Foram 12 cartões amarelos e quatro vermelhos.
Já a Dinamarca não tem uma história tão brilhante em Mundiais, mas já impressionou. Em 1986, a chamada Dinamáquina conseguiu três vitórias em um grupo considerado dos mais difíceis daquela Copa. Venceu a Escócia por 1 a 0, humilhou por 6 a 1 o Uruguai de Francescoli, e bateu a Alemanha Ocidental, que chegaria à final contra a Argentina, por 2 a 0. Contudo, nas oitavas foi eliminada pela Espanha de Butragueño com um acachapante 5 a 1.
A consagração dinamarquesa viria de forma peculiar. Em 1992, a Iugoslávia foi punida pela ONU por conta da guerra que resultaria na sua fragmentação e também recebeu sanção da Uefa, que a retirou da Eurocopa. Quem ficou com a vaga foi a Dinamarca, que formou uma seleção às pressas para disputar o torneio. Quase ficou na primeira fase ao perder para a Suécia e empatar com a Inglaterra. Mas a vitória sobre a França do treinador Michel Platini a colocou na semifinal como segunda colocada da chave.
Larsen fez dois no empate com o adversário de hoje, a Holanda, que era a campeã da edição anterior. Nos pênaltis, os dinamarqueses levaram a melhor e, na final, superaram a Alemanha por 2 a 0, com grande atuação de Brian Laudrup e do épico goleiro Peter Schmeichel, que atuava no Manchester United.
Agora, ambas as seleções sonham em viver seus melhores momentos e superar suas trajetórias em Copas. A Holanda mais uma vez vai apostar na criatividade com craques como Sneijder, Van Persie e Robben. Já os dinamarqueses, com um sistema mais defensivo, querem ser de novo a surpresa. A história começa hoje.


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