Eles passam melhor, lançam mais e fazem menos faltas do que os meias ofensivos. Já pensou?
Os dois volantes marcadores da seleção brasileira tem aproveitamento de passes melhor e maior número de lançamentos do que os dois meias ofensivos. Felipe Melo e Gilberto Silva ainda fizeram menos faltas do que Kaká e Elano. Os dados constam das estatísticas oficiais da Fifa.
Pelo jeito, só elas defendem a formação preferida de Dunga com dois marcadores de ofício no meio de campo. A começar pelo número de faltas. Surpreendentemente, cada um dos recuados homens de meio-campo teve uma mísera infração anotada pela arbitragem. Os de frente, duas cada.

Contra a Coreia do Norte, Felipe Melo respondia por troca de passes no campo defensivo (Foto: Divulgação/CBF)

Gilberto Silva no treino, onde ele ficaria se fosse efetivada boa parte dos 190 milhões de treinadores brasileiros (Foto: Divulgação/CBF)
Enquanto os camisas 5 e 8 registram 89% de passes certos, Kaká amarga 77% e Elano 62%. É claro que os meias de frente passam mais, certo? Errado. Os volantes ultrapassaram a casa da centena, enquanto os outros dois exercitaram o fundamento em 97 e 77 vezes respectivamente.
Juntos, nossos criticados atletas respondem por nada menos do que um quarto das bolas trocadas pela seleção, a segunda que mais tenta fazer a Jabulani sair dos pés de um para o de outro – atrás da Espanha, apenas. Aliás, em termos de sucesso nos passes por jogo, ninguém supera o Brasil com 525 por partida.
“Ah, mas Gilberto Silva e Felipe Melo só devem fazer passes de meio metro e para o lado!”, exclamará um cada vez mais desesperado defensor de bons tratos à Jabulani. É triste, mas os supostos cabeças de bagre fizeram mais lançamentos – e com mais precisão – também.
Sobre a direção dos tais passes, provavelmente o cético leitor terá razão. Antes, é preciso entender as quatro categorias em que a Fifa divide o fundamento. São os passes curtos, médios, os lançamentos e os cruzamentos. Também posiciona os passes de cada jogador por área do campo.
É neste último registro que fica explicada a dificuldade dos nossos meias. Como era de se esperar, os jogadores mais defensivos encostam na bola no próprio campo do que no de ataque. O contrário vale para Kaká e Elano. É no terreno do adversário que a marcação aperta. Elano concentra 20 de seus 77 passes na ala direita do gramado, por exemplo.
Ufa!
Mas a gente combina aqui que ninguém fala sobre isso para o Dunga, certo? De repente ele aproveita a suspensão de Kaká para escalar mais um volante, a exemplo do que fez Luiz Felipe Scolari em 2002… Melhor não.
Aos dados:
Passes por jogo
Espanha – 658
Brasil – 630
Argentina – 627
Passes certos por jogo
Brasil – 525
Espanha – 506
Argentina – 469
| Passes | Curtos | Médios | Lançtos. | Cruzam. | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Jogador | Nº | Certos | Nº | Certos | Nº | Certos | Nª | Certos | Nº | Certos |
| Felipe Melo |
161 | 89% | 20 | 90% | 108 | 91% | 30 | 87% | 0 | 0% |
| Gilberto Silva |
133 | 89% | 36 | 92% | 80 | 89% | 17 | 82% | 0 | 0% |
| Kaká | 97 | 78% | 38 | 84% | 48 | 77% | 11 | 64% | 5 | 0% |
| Elano | 77 | 62% | 23 | 83% | 38 | 58% | 16 | 43% | 14 | 35% |




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