Confrontos entre favoritos em duas chaves poderiam figurar em semifinais de muito bolão. Cinco dos oito que permanecem desembarcaram na condição de postulantes ao título
Pelo menos uma das quatro vagas nas semifinais da Copa do Mundo será de um azarão. Na fase seguinte, a zebra terá de disputar a sorte contra uma seleção favorita. Na conformação da terceira fase da Copa da África do Sul, há dois confrontos entre seleções que desembarcaram na condição de postulantes ao título e um entre times em quem quase ninguém apostaria suas canetadas em um bolão.
Uruguai ou Gana travam o embate por uma das vagas. Quem vencer confirma a condição de azarão no páreo futebolístico. Enquanto a Celeste Olímpica amarga um jejum de 40 anos sem chegar no seleto grupo das oito melhores do planeta, Gana já igualou as melhores marcas dos africanos em mundiais.
Em 1970, uruguaios passaram contra pela União Soviética nas quartas. Desde então, deixou de participar de cinco copas, mais uma desclassificação sumária na fase de grupos em 2002.
A geração de Lugano, Fórlan e Suarez, comandada por Oscar Tábarez surpreende, porque só garantiu a viagem para o continente africano na repescagem a que tem direito o quinto colocado nas Eliminatórias Sul-Americanas. É bem verdade que venceu a Costa Rica em San José, mas isso não faz ninguém levar um time à sério. Já futebol dedicado e objetivo, sim.
Gana também é azarão. Entre as seleções africanas, é a única que permanece no primeiro mundial sediado no continente. Não teve uma trajetória de grandes percalços, mas deixou a Sérvia para trás na fase de grupos e os Estados Unidos nas oitavas, com direito a prorrogação.
Em janeiro, Gana foi a seleção classificada para o Mundial a ir mais longe na Copa Africana das Nações. Ficou com o vice-campeonato, perdendo para o Egito, que não se qualificou para a festa do ludopédio. Mas os gansenses estavam sem Appiah nem Muntari.

Torcedora uruguaia apoia o time na partida contra a Coreia do Sul pelas oitavas (Foto: Rodrigo Arangua/AFP/Getty Images)
Se Abdi Pelé, o melhor jogador da história do país, não alcançou isso, seu filho ajudou a fazer. André Ayew, o Dedé, é um dos curiosos destaques das Estrelas Negras.
Paraguai é outra candidata a surpresa nas semifinais. Terá de passar pela Espanha, que progressivamente recupera a condição de favorita que conquistou por ter faturado a Eurocopa de 2008. A condição inédita para o Paraguai de ser uma das oito melhores seleções do mundo permite sonhar com tudo, mas todo favoritismo é espanhol.
Semifinais antecipadas
De um lado do chaveamento, tem Holanda contra Brasil. Do outro, Argentina contra Alemanha. Confrontos de tradição que se repetiram três e cinco vezes na história dos mundiais, respectivamente. Se o primeiro guarda equilíbrio absoluto no tempo regulamentar (uma vitória para cada lado e um empate), o segundo tem leve vantagem germânica.
Quando times favoritos se encontram, um chavão futebolístico manda chamar de “fase-seguinte antecipada”. No caso, seriam as semifinais. Como se o favorito que passar levasse, de brinde, o ingresso para as finais, já que o adversário da partida posterior tem menos prestígio.
Claro que alguém pode recorrer a outro chavão – “Não tem mais bobo no futebol”. Pior, uma disputa dura, com prorrogação, pode complicar a vida de uma dessas seleções poderosas. E, claro, os azarões também podem continuar a surpreender. Mas um embate entre favoritos também tem seu peso.
Poucas caras novas
A última seleção a chegar a uma final de Copa sem ter antes erguido pelo menos uma vez a taça do mundo foi a França, que recebia a competição. Antes, a Holanda, por duas vezes, em 1974 e 1978, justamente contra a Argentina, na edição que sediou a Copa.
Ocorre que foi em 1978 a derradeira ocasião em que duas seleções sem título se enfrentaram na decisão. Antes, só em 1958, quando o Brasil se sagrou campeão sobre a Suécia. Depois, alguma das vitoriosas sempre participa da festa.
Isso sem falar que, há para vencer uma Copa, ou a seleção tem um título prévio ou recebe o Mundial e ganha com apoio da torcida. Há apenas duas exceções (Alemanha, em 1954 na Suíça, e Brasil, em 1958 na Suécia).
Em 2002, quando o Brasil passou pela Inglaterra, se disse coisa do gênero. Idem com França e Brasil de 2006 e Argentina e Inglaterra de 1986.
Essas coisas contam. Será que desta vez vai ser diferente?



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