Endereçada aos deuses dos estádios, prece pede piedade a quem odeia o ludopédio, os herois para quem um gol contra não doi.
Senhores deuses dos estádios, tende piedade daqueles que não gostam de futebol.
Pobres desses seres que tentam sobreviver em épocas de Copa.
Que ligam a TV, em qualquer horário, e são obrigados a ver uma bola rodando.
Ou intermináveis mesas-redondas discutindo se foi pênalti ou se o gol foi irregular.
Se o Drogba se recupera a tempo para enfrentar o Brasil.
Se o Dunga vai, uma vez só, ser simpático com jornalistas ou com quem quer que seja.
Pobres de quem não gosta de futebol e só conseguem ver imagens de gente pulando de verde e amarelo.
Como se todo mundo nesta época se juntasse para bater no peito e urrar ugas-ugas pela glória nacional.
Comerciais exaltando guerreiros que vão lutar até a morte pela vitória.
Gente tocando cornetas-vuvuzelas, soltando rojões e pulando por qualquer motivo.
Discursos do Galvão, comentários do Casão, bobagens do juizão, bolas fora do goleirão.
Pobre de quem não souber quem joga no Japão, que não conhece Camarões ou nunca ouviu falar do Kaká e sua lesão.
Infeliz de quem não pertencer à família Brasil.
Que não sabe o que é Bafana Bafana ou mesmo de sua pátria não se ufana.
Esses, para quem um gol contra não dói, merecem ser chamados de heróis.
* Vitor Nuzzi gosta de futebol em qualquer época. Pôs os pés num estádio pela primeira vez aos 10 anos (tem 45) e não pretende tirá-los tão cedo, façam o que fizerem com a pobre bola. A sua seleção do São Paulo que viu jogar é Rogério; Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereyra e Serginho; Chicão, Cafu, Raí e Pedro Rocha; Careca e Serginho Chulapa.



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Bacana, mas é “Bafana Bafana”!!
Abraço!!
Paulo, bem observado. Correção efetuada. Grato pelo puxão de orelha…
muito boa