“God save… the beer!” Fábio Capello libera a gelada, a exemplo do que ocorria em 1994 na delegação brasileira, e consegue melhores resultados em campo
Quem assistiu à partida da Inglaterra contra a então líder do Grupo C Eslovênia, viu uma equipe diferente daquela que empatou com EUA e Argélia. Para o técnico Fabio Capello, o que mudou para que os súditos da Rainha jogassem de forma convincente (apesar do placar magro) foi o “espírito de grupo”. E essa união só se tornou possível porque o italiano não perdeu tempo com esquemas táticos mirabolantes, estratégias de guerra ou treinos secretos.
Ele simplesmente liberou seu elenco na véspera para tomar cerveja. Deu certo.
“Ontem à tarde eles foram tomar cerveja e eu vi que o time jogou com o espírito que nós tínhamos perdido nos jogos anteriores. O desempenho foi realmente bom e nós criamos uma série de chances para marcar o segundo gol”, contou o comandante depois da partida. Mas, se esse foi o segredo, como ficarão os ingleses nas oitavas, quando se confrontam com um país que é quase sinônimo da loira gelada, a Alemanha?
Os germânicos, donos da casa na última Copa, têm mais de 1.270 cervejarias espalhadas pelo país, que produzem cerca de cinco mil marcas para deleite dos bebedores de plantão. O técnico Joachim Löw, ciente das tradições do país e da alegria que o consumo da bebida típica do país pode trazer para o grupo, liberou a cerveja, como também o vinho na concentração. Pediu só que os atletas o façam com moderação, mas vai saber qual é o conceito de “moderação” para um país que consome 116 litros per capita do líquido dourado por ano?
Torcida sempre ajuda
E se torcida faz diferença, os alemães também podem desfrutar de vantagens para fomentar o chamado “espírito de grupo” citado por Capello. Como o consumo vem caindo ao longo dos anos no país de Schumacher e a crise econômica deu mais uma mão para que se vendesse menos, os preços desabaram. Tanto que, em janeiro, era possível comprar um litro da bebida a 38 centavos de euro, o que equivale a aproximadamente 85 centavos de real, valor mais baixo que um litro de água mineral pelas bandas de lá.
Quanto ao Brasil… Bom, aqui, o consumo tem aumentado e a oposição pode dizer de boca cheia que a “culpa” pode ser do Lula. Em 2009, mesmo com a crise mundial, o mercado de cervejas cresceu 5% no Brasil em volume e atingiu 10,7 bilhões de litros, superando a Alemanha no ranking absoluto (não no consumo per capita). Segundo entendidos, o resultado só foi possível por conta da ampliação do consumo entre as classes C e D.
E os jogadores do Brasil?
Enquanto Messi e companhia podem desfrutar de um vinhozinho quando possível, segundo o comandante Diego Maradona, o Brasil enfrenta mais restrições. Mas a censura alcóolica ( e de outra ordem também) enfrenta críticas de um ex-companheiro do técnico da seleção, o ex-jogador e heroi da quarta-de-final contra a Holanda em 1994, Branco. Vejam essa pergunta e resposta feita em entrevista ao jornal Extra, publicada no dia 30 de maio:
Voltando à concentração. Havia bebida em 94?
Claro, mas havia profissionalismo. Estávamos ali para ganhar a Copa do Mundo. Tinha jogo em que uma cervejinha era liberada, sim. Mas bebíamos umas três ou quatro, para relaxar. Ninguém estava ali para encher a cara, mas para ser campeão do mundo, pô. Tomar um vinho, bater um papo para relaxar, qual o problema nisso? Se houvesse problema, não haveria futebol na Alemanha e na Inglaterra, onde eles bebem cerveja, nem na Itália, França e Argentina, onde bebem vinho. Faz parte da cultura. Havia bebida em 94, fiz meu filho em 94, numa seleção que muitos não dizem que não jogou bonito, mas que todos consideram que foi perfeita física e taticamente. Então, cadê o problema?
E o curioso ou contraditório é que Dunga, assim como outros três jogadores da seleção, fazem propaganda de uma marca de cerveja. Aliás, o fenômeno Ronaldo cansou de fazer propaganda da mesma marca comemorando gols com o dedo indicador em riste, e hoje sua proeminente barriga pode até funcionar como propaganda negativa do consumo da dita cuja. Contudo, segundo disse o ex-jogador Vampeta em um programa de TV, Luís Fabiano sequer bebe. Lúcio, capitão da seleção, também não consome bebida alcoólica e suspeita-se que outros também, por opção filosófico-religiosa.
Ou seja, a conexão dos atletas com a bebida é meramente comercial e parece que o técnico brasileiro não vai ter problema com excessos, mas pode sofrer com faltas (em mais de um sentido). Até porque pesquisas científicas indicam que o consumo (moderado) de cerveja pode fazer bem para atletas. É esperar para ver.



Assine o 


[...] Cerveja, ela pode salvar (ou não) uma seleção no Mundial junho 24th, 2010 | Autor: admin [...]