Pior que do que ter que ver aquela coisa de azul que se diz time de futebol suando sangue pra empatar com os nossos vizinhos do Chaco é ter que levantar ao som dessas cornetinhas logo de manhã. Aliás, que troço é esse de vuvuzela? Desde que vi uma dessas há décadas atrás sempre foi cornetinha, corneta ou coisa que o valha. Agora, só porque alguma emissora de TV ficou espalhando que ela tinha mudado de nome, qualquer coisa de plástico que se sopre é “vuvuzela”. Daqui a pouco vão dizer que até o apito que o Tobias usa na várzea aqui do lado é uma “vuvuzelinha”. Haja paciência…
Mas é melhor falar do dia de hoje na Copa. Ainda estou esperando futebol nesse torneiozinho precário, pois tenho visto jogadas mais interessantes no jogo de videogame do meu neto e no pebolim do bar do Almeida. O Almeida que, aliás, vem da terrinha, como tantos que conheço aqui no bairro. Compro pão na padaria de um, jogo dominó na praça com outro e tomo cerveja com eles e mais alguns. Mas já avisei a todos: hoje, vou secar Portugal.
E nem é por causa do bolinho de bacalhau que o Joaquim do Macuco me serviu outro dia e que tinha só batata e merluza. Nada contra meus amigos lusitanos, mas colonizador é colonizador. E, além do que pilharam aqui e alhures, os patrícios só conseguiram alguma relevância no futebol mundial por conta justamente das suas colônias e ex-colônias, sugando o pé-de-obra alheio.
Vejamos pois: quando chegou às semifinais da Copa de 66, ocasião em que quase fizeram com que Pelé migrasse para modalidades para-olímpicas, tal sua brutalidade, quem era o craque lusitano? Eusébio, que era… moçambicano! E o comandante daquele escrete era o brasileiro Otto Glória, que tantas vezes treinou o Vasco pelas bandas de cá. Na última Copa, quando chegaram de novo entre os quatro, tinham em suas fileiras Deco e o treinador era o nosso Luiz Felipe Scolari.
Ou seja, o que seria de nossos ex-dominadores sem atletas e treinadores de suas colônias? Pouca coisa, pelo menos no futebol. E nem pra darem um descontinho pra gente no bacalhau ou um tremoço de graça nas compras da mercearia. Ô, gente ingrata!
E como torcer pra um time que tem esse tal de Cristiano Ronaldo? No meu tempo, jogador tinha apelido, terminava com “inho”, com “ão” ou então era só uma alcunha diferente mesmo. Hoje, os caras fazem questão de ostentar nome composto que nem esse aí, parece coisa de personagem de novela mexicana. Esse cidadão dá a impressão de que, se o cabelo dele desarrumar no meio de um contra-ataque, finge contusão só pra poder ajeitar o topete do lado de fora do gramado.
Com o perdão da minha vozinha portuguesa Angélica, que hoje está lá no céu provavelmente passando receita de pastel de Santa Clara, e da minha professora do primário Rosa Maria, que fazia a gente decorar trechos do Lusíadas na aula (é, essa não deve estar no céu…), hoje sou Costa do Marfim. Colonizado, unido, jamais será vencido!
O Blog do Secador é uma coluna enviada por Abinadauto, comunista das antigas e perseguido político da ditadura. De tão clandestino, preferiu não abrir mão do codinome usado nos tempos duros. Dunga, para ele é e sempre será personagem de conto de fadas – historinhas corrompidas, aliás, pela indústria cultural imperialista.



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[...] Blog do Secador – o caldo verde vai entornar junho 15th, 2010 | Autor: admin [...]
Só discordo desse negócio dos apelidos. Acho ridículo o sujeito se dar a alcunha de Grafite, Coalhada, Bozó, Vampiro com Capeta ou essas outras bizarrias que terminam com “inho” ou “ão”.
Agora, de resto, concordo em gênero, número e grau. Também sou Costa do Marfim, e mesmo sem Drogba, sigo botando fé.