Alemanha goleia Inglaterra no melhor jogo da Copa até aqui

Alemães são superiores na goleada por 4 a 1, mas gol não marcado para os ingleses poderia ter mudado a partida

Alemanha comemora, Rooney volta pra casa (Christian Charisius/Reuters)

Alemanha e Inglaterra honraram suas tradições neste domingo (27), no estádio Free State, e fizeram, disparado, o melhor jogo da Copa até aqui – e um dos melhores que eu vi em um bom tempo. O 4 a 1 classificou os germânicos para as quartas de final, o que tem sido rotina para os caras: desde 1938 eles não deixam de estar entre as oito melhores seleções num Mundial.

Os ingleses certamente passarão o resto da vida reclamando, com razão, do golaço de Lampard no final do primeiro tempo, que garantiria a igualdade no placar no intervalo e um ânimo renovado ao English Team. Mas nem o fanático (e pé frio…) Mick Jagger, presente ao estádio, ousaria dizer que a Alemanha não mereceu.

O jogo começou com os dois times se estudando, a Alemanha um pouco mais organizada. Parecia mais uma partida de meio campo forte e poucas chances de gol. Isso durou até os 20 minutos, quando o goleiro Neuer bateu tiro de meta e Miroslav Klose fez um gol bem de centroavante, brigando com o zagueiro Upson, que se posicionou horrivelmente no lance, junto com Terry.

A partir daí e até mais ou menos uns 35 minutos, a Alemanha dominou o jogo, com excelentes trocas de passe entre Schweinsteiger, Özil, Müller, Podolski e Klose, os três primeiros em partidas brilhantes. Mas foi numa jogada do centroavante que saiu o segundo. Klose recebeu na ponta direita e deu passe para Muller dentro da área. Ele poderia chutar, mas serviu Podolski pela esquerda, que chutou quase sem ângulo e marcou.

Ao ver classificação voando pela janela, os súditos da rainha resolveram se coçar. E foram para cima com tudo que tinham. Aos 37 minutos, em cruzamento de Gerard, o zagueiro Upson, aquele que perdeu para Klose no gol inaugural, se redimiu com um gol de cabeça.

E na sequência aconteceu o lance que carimbou o passaporte do árbitro Jorge Larrionda para fora da África do Sul. Defoe tenta entrar na área e perde a bola, que sobra para Lampard. O meia inglês, que mostrou tudo que não jogou no resto do torneio, manda um chute por cobertura que acerta no travessão, bate 33 centímetros dentro do gol e pinga para fora. Os 33 centímetros foram mostrados e repetidos exaustivamente pela transmissão televisiva. O time inglês comemora, Fábio Capello grita. E o juizão não dá o gol legítimo.

Os ingleses ficam desconsolados, mas há quem veja certa justiça poética. Há 44 anos, a Inglaterra ganhou seu único título mundial enfrentando justamente a Alemanha na final. Na ocasião, chute de Geoff Hurst bateu no travessão e em cima da linha, mas a arbitragem deu o gol inexistente.

Depois da polêmica que encerrou o primeiro tempo, os ingleses voltaram a campo mordidos e dispostos a virar o placar. Já aos 6 minutos, Lampard, sempre ele, acertou o travessão em cobrança de falta. Mas do outro lado tinha um time determinado.

A Alemanha, que havia terminado o primeiro tempo pressionada, se acertou no vestiário e veio com a proposta de buscar os contra-ataques para matar o jogo. Deu certo. Aos 20 minutos, Lampard bateu falta na barreira e a Alemanha saiu em uma aula de contragolpe. Müller pegou a bola pela esquerda e passou para Schweinsteiger, que carregou a bola da esquerda para o meio, enquanto Özil se deslocou do meio para a esquerda, puxando a marcação. O camisa 7 então passou com açúcar e afeto na direita para Muller fuzilar o goleiro James. E tudo isso aconteceu em alta velocidade, desnorteando a defesa inglesa.

Meros três minutos depois, o último prego no caixão britânico. Em novo contra-ataque, a bola é lançada na esquerda para Özil. Ele ganha na velocidade do volante Barry, invade a área e tem a calma necessária para esperar a chegada de Müller pela direita. Golaço que acabou com o ânimo inglês.

A partida da Alemanha foi brilhante e nem o erro grotesco do juiz pode apagar isso. A superioridade construída no segundo tempo não deu chances para a reação da Inglaterra. Os britânicos mostraram um bom futebol no final do primeiro tempo e início do segundo, mas não foi o bastante. Faltou talvez uma melhor participação do atacante Wayne Rooney, primeiro entre os cotados para estrela do mundial a empacotar as malas.No entanto, o gol não marcado no fim da primeira etapa talvez não deixasse os britânicos tão expostos ao mortal contragolpe alemão, o que mudaria bastante o jogo.

Os germânicos mostraram de novo um futebol de toque de bola e movimentação que abriu a defesa adversária no primeiro tempo. E um aproveitamento muito bom nos contra-golpes. Agora, pegam o vencedor de Argentina e México, com favoritismo amplo dos primeiros. Se o time de Maradona deixar a zebra fora de campo, pelo estilo das duas equipes, a partida pelas quartas tem tudo para ser mais um jogaço.

Veja os melhores momentos:

Alemanha 4 x 1 Inglaterra

Neuer, Lahm, Friedrich, Mertesacker e Boateng; Schweinsteiger, Khedira, Müller (Trochowski), Özil e Podolski (Gomez); Klose (Kiessling).
Técnico: Joachim Löw.

James, Johnson (Wright-Phillips), Upson, Terry e Ashley Cole; Lampard, Barry, Milner (Joe Cole) e Gerrard; Defoe (Heskey) e Rooney.
Técnico: Fabio Capello.

Gols: Klose, aos 20, Podolski, aos 32, e Upson, aos 37 minutos do primeiro tempo; Müller, aos 22 e aos 25 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Friedrich (ALE) e Johnson (ING). Estádio: Free State, Bloemfontein (AFS). Data: 27/06/2010. Árbitro: Jorge Larrionda (URU). Assistentes: Pablo Fandino (URU) e Mauricio Espinosa (URU).

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